Qual o seu exemplo?

Sunrise 001Quando era mais novo, cerca de 15 anos atrás, eu costumava dizer que não me importava com o que os outros pensavam de mim. Fazia, basicamente, o que queria (desde que não desrespeitasse ninguém), sem me preocupar se alguém iria achar aquilo legal, ridículo, interessante ou deplorável. Acreditava que, por ser minha vida, ninguém teria o direito de me julgar. Me respaldava sempre no significado do meu nome: “Deus é meu juiz.”

Os anos passaram, e minhas decisões começaram a me colocar em lugares aonde eu estava sempre em observação por um certo número de pessoas que, de alguma forma, depositavam alguma confiança em mim. Sendo assim, minhas ações passaram a importar, em maior ou menor grau, para as pessoas ao meu redor, quisesse eu, ou não. O primeiro choque de realidade foi quando ainda frequentava a Ordem Demolay – um grupo de jovens do qual faço parte e fui membro ativo entre 2000 e 2005. Lá, cada membro tinha uma função, e as atividades eram cobradas e precisávamos prestar contas aos demais. Além disso, passei a fazer parte de uma Ordem quase centenária, com representantes no mundo inteiro. Sendo assim, meus atos poderiam danificar a imagem e tantos outros colegas que, comigo, fizeram parte desta irmandade.

Quando comecei a trabalhar, novos impactos, agora com ainda mais responsabilidades: chefes, colegas, clientes, alunos. Todos eles observam e comparam o discurso com as ações, e isso vai trazer algum reflexo para nós. Então, começamos a realizar que o falso moralismo é rapidamente identificado: ir para Igreja e brigar no estacionamento; prometer um produto de excelente qualidade e entregar uma porcaria; colocar atributos no currículo que não corresponderão com a realidade; e assim vai.

Hoje tive um novo “choque” de realidade. Andando pela rua, encontro um amigo com quem não topava há, pelo menos, 10 anos. De repente ele me fala: “Cara, parabéns! Voltei a malhar por tua causa. Acompanhei tua trajetória pro Ironman e fiquei de cara.” Não sou atleta. Não sou um excelente amador. Não tenho milhares de seguidores nas redes sociais. Sou apenas uma pessoa normal, filho, irmão, marido, trabalhador, que resolveu fazer o Ironman e postar algumas coisas em redes como Facebook e Instagram. Mas por algum motivo alguém acompanhou meus passos e resolveu fazer uma mudança em sua vida por causa disso. E é por situações como estas que hoje eu me importo, e muito, com o que as pessoas leem dos meus atos e das minhas palavras. Alguém vai nos observar e nos tomar como exemplos. Pode ser uma pessoa muito próxima, como um filho, um aluno, um vizinho. Mas pode ser um colega que você não vê há décadas. Se estas pessoas observarem você fazendo coisa erradas, como furar fila, sonegar impostos, corromper-se, este será o seu modelo que poderá ser seguido.

Todos os dias eu durmo com a consciência tranquila sobre as lições que deixo para os outros. Este ensinamento eu tive em casa. E você, é exemplo do quê?

Você respeita a si mesmo?

Nos dias de hoje é comum nos depararmos com depoimentos, vídeos, fotos, e-mails de pessoas aclamando pelo respeito ao próximo. “Respeite os animais”, “respeite os casais do mesmo sexo”, “respeite o índio”, “respeito o negro”, e assim vai. Muitos estão apenas na onda, pois parece que virou moda ser “engajado” e pecado ser “alienado”, muito embora estes últimos também necessitem da sua compreensão. Mas, afinal, como esperar que todos respeitem o próximo, independentemente de quem este seja, se, muitas vezes, não respeitamos a nós mesmos?

Após minha última prova, o Ironman, tirei três semanas de férias dos treinos. Precisava de um tempo para me reestruturar profissionalmente, visto que mudara de emprego; queria avaliar a prova, o que ficou dentro do esperado, o que ficou fora e como poderiam ser mudado para melhor. Além disso, precisava traçar novos objetivos, novas metas. Quando isto estava pronto, voltei aos treino, depois de três semanas parado. Resultado: fora de forma, sem fôlego e sem ritmo. E, nestes momentos, é que devemos aprender a respeitar o que nosso corpo nos diz.

Quando voltei a treinar, procurei um local para praticar natação indoor, pois, no fim das contas, um dos objetivos para o próximo desafio é melhorar a técnica nesta modalidade, o que é muito difícil praticando-se apenas no mar. Ademais, a piscina termina é uma boa saída para treinos em nosso inverno de 7 graus. Em um primeiro momento, achei ruim que próximo da onde eu moro não haja nenhum clube com piscina de 25 metros. A maior é de 15 metros. Mas, depois de três semanas na esbórnia, a aula experimental foi quase tão dura quanto meu primeiro Sprint Triathlon. Dois dias após, foi a vez da corrida. Um treino programado para 8km transformou-se em 4km, depois de sentir leve desconforto no joelho direito. Por fim, para completar o esporte, da mesma forma, o treino de ciclismo de 50km foi interrompido no 40km por falta de condicionamento físico.

Muitas pessoas, principalmente aquelas que treinam em grupo, talvez se sentissem desconfortáveis em parar o treino no meio, pois gostariam de acompanhar seus colegas. Outras, poderiam forçar seu corpo por acreditar que estavam performando abaixo do esperado, de forma a comparar o desempenho atual, pós-férias, com o anterior, em plena fase de treinamento para uma prova. Não precisa ser especialista para dizer que tais comportamentos podem piorar ainda mais a situação. Nosso corpo precisa de um tempo para voltar ao que era, para poder fazer o mesmo nível de esforço que fazíamos quando estávamos no auge dos treinamentos. Precisamos entender e respeitar nossos limites. Isso não quer dizer que devamos aceitá-los. Mas compreender nossa capacidade atual é condição sine qua non para definirmos a estratégia correta para alcançar nossas metas que, muitas vezes, estão muito além de nossos limites. Essa postura serve para tudo: para as situações descritas no início do texto, para traçar estratégias empresariais (não importa o tamanho do negócio), para vencer a si próprio na próxima prova. Então, na próxima vez que você exigir o respeito de alguém, verifique se você respeita ao seu corpo, a sua mente. Respeite a você mesmo.

 

Balanced Scorecard e Triathlon

No ano passado iniciei no triathlon. Fui impulsionado pelo clima que o Ironman traz a Floripa. Nunca tinha assistido a uma prova, até que em 2012 um grande amigo (John Brito Hauptli) resolveu fazê-la. Assisti a largada e fui contagiado. Durante a prova, a animação da torcida e o empenho dos atletas terminaram de me encantar. Foi então que, meio no oba-oba, e com a vontade de praticar algum esporte, comprei um tênis de corrida, um óculos de natação e uma bicicleta.

Sempre focado no Iron, meu primeiro ano foi, basicamente, chegar ao final de cada prova. Não tinha competições anteriores para me balizar, nem tempo suficiente para desenvolver as técnicas corretas. Isso me fez cruzar a linha de chegada com 13 horas e 51 minutos. Bom ou ruim; alto ou baixo; este foi meu tempo. Agora, para as próximas provas, tenho objetivos mais específicos: melhorar técnica e desempenho. E, para isto, vou utilizar uma ferramenta de administração de empresas para o triathlon: o Balanced Scorecard – BSC.

O BSC é uma ferramenta de gestão e monitoramento estratégico desenvolvido por professores de Harvard. Basicamente, ele alinha o objetivo estratégico da empresa em quatro variáveis chaves: financeira, clientes, comportamento interno da empresa e aprendizado.

Balanced Scorecard

A ideia é que cada uma destas variáveis possua seu próprio objetivo estratégico. Desta forma, ao atingir o objetivo estratégico de cada uma das variáveis chave, a empresa deverá atingir a meta principal. (Quem desejar aprender mais sobre BSC, pode procurar inicialmente no Wikipedia. Lá há também a bibliografia original – http://pt.wikipedia.org/wiki/Balanced_scorecard).

Pois bem. Neste sentido, será necessário adaptar este modelo para o triathlon. Diferentemente do conceito original do BSC, serão 5 variáveis, ao invés de 4: Natação, Ciclismo, Corrida, Condicionamento Físico e Transições. Para cada uma delas, será definido um objetivo para que o resultado da prova seja atendido. Uma vez que sou iniciante neste esporte, após definido os objetivos, vou procurar ajuda do técnico da Sprint Assessoria, da  nutricionista Daniela Muniz, e do educador físico Henrique Neu para atingi-los.

Minha próxima prova será o Challenge Florianópolis, em novembro. Então, vamos aplicar o BSC a ele. A visão estratégica, aqui, será completar a prova em 5 horas e 55 minutos. Cada modalidade tem seu próprio objetivo de tempo, bem como as transições. Além disso, foi definido um peso como meta e percentual de gordura, que influenciarão, principalmente, na corrida. Nos próximos posts, apresentarei as estratégias de cada uma das modalidades.

Objetivos Estratégicos

Momento Mágico

No Ironman Brasil 2014, a etapa do ciclismo assustava pela sua grandeza. Seria mais da metade de toda a prova em cima de uma bicicleta, num total de 180 quilômetros. Pelos meus treinos, imaginava que o faria em cerca de 6h30m. Minha preocupação eram as dores na região lombar, que me perseguiam durante os treinos. Entretanto, graças ao trabalho do Dr. Ismael, da Cerfe Fisioterapia, que aplicou kinesio tape na região, este acabou não sendo um problema. O que atrapalhou bastante foi o vento.

Ao sair da natação e pegar a “magrela”, as condições eram perfeitas. Havia sol para ajudar a secar a roupa molhada, e não havia vento. Após sairmos de Jurerê Internacional e pegarmos a rodovia SC-401, estava muito satisfeito com o desempenho. Sem muito esforço, meu relógio marcava a velocidade de 35 km/h. Nesse momento, havia muita gente pedalando junto ainda. Ora eu ultrapassa alguns colegas, ora eu era passado por eles. Enquanto subia o morro do cemitério, vi, dbikeo outro lado, o primeiro colocado passar, descendo em direção ao Floripa Shopping. Era Igor Amorelli, que acabou vencendo o evento. Fiquei impressionado quando vi o segundo colocado apenas iniciando a subida do morro. Nesse instante pensei: “aquele cara é muito fod@!”. Ao chegar na Av. Beira Mar, o visual e as pessoas torcendo ajudavam a aumentar nossa moral e deixar a prova ainda mais agradável. Em seguida veio o túnel e o caminho todo de volta, que foi marcado por pessoas batendo no guard-rail, fazendo festa pela passagem dos Irons, e mais um punhado de gente na rótula de Canasvieiras doando energia positiva para quem passava. Finalizei a primeira volta com 3 horas, marcando exatos 30km/h de média. Não chega a ser impressionante, mas estava dentro da minha meta. Na segunda, volta, porém, nem tudo foram flores.

Na rótula de Canasvieiras, bem no final da primeira volta, estava na hora de tomar meus sais e BCAA. Então, busquei a minha caixinha que levara para suplementos em cápsula. Ao abri-la, uma surpresa nada agradável: como minha roupa estava molhada no início da prova, todas as minhas bagas haviam dissolvido. Em um primeiro momento, eu desesperei. Mas em seguida, pensei em uma solução. Como havia levado meu celular para que minha esposa pudesse me acompanhar pelo iCloud, mandei uma mensagem para ela, pedindo que, após eu passar para a segunda volta, que ela me desse minhas cápsulas de sal, BCAA e Advil para poder fazer a prova de corrida. Ela prontamente atendeu. Em uma verdadeira operação de contrabando, com ajuda de uma das voluntárias que trabalhavam na tenda de transição, ela consegui fazer com que colocasse dentro da minha bolsa meus suplementos. Fora das regras? Sem problemas. Não estava competindo e muitos atletas PRO estava fazendo vácuo. Então, tudo certo.


QuandDSCF0164o estava na Beira Mar, para a segunda volta, já na casa das 5h30 de prova, entrou um vento norte e todo o trajeto do trevo do aeroporto, na baía sul, até a rótula de Canasvieiras, foi de vento contra. E a velocidade média da segunda volta foi de meros 25km/h. Na volta, já passava de 7 horas de prova. No km 160 da etapa de bike, eu estava com ambos os pés dormentes, dores nas cotas, nas pernas, dor de cabeça, frio e fome. Foi quando vi meus heróis no acostamento da SC401 torcendo por mim e me incentivando. Meus olhos se encheram de lágrimas; o choro queria vir, mas não saia. Então, meus pulmões se preencheram com ar e meu coração a bater mais forte. A energia veio não sei da onde, mas foi o suficiente para me levar até a segunda transição e completar a maratona. Sem eles, nada seria possível, gratificante ou glorioso. Amo muito.

O momento mágico

Free Coaching – Lições que tive com o Ironman

Agora posso falar com propriedade, sem olhares tortos de discriminação por nunca ter feito um Ironman. Agora eu fiz. Agora eu completei. E digo uma coisa: vou pegar tudo que já me falaram sobre o maior evento de triathlon do mundo e vou guardar em pasta mental chamada “experiência dos outros”, que foi fDSCF0155undamental para os treinos, mas, depois de ter feito a prova, vou memorizar a minha percepção, a minha vivência, que resumirei em algumas lições.

1 – Sobre planejamento

Certamente o mais difícil em todo este processo, incluindo o próprio evento, foi a preparação. Os treinos consumiram uma quantidade enorme do meu tempo. Eram cerca de 20 horas por semana, com um dia de descanso. E como eu não nasci em berço esplêndido, eu precisava trabalhar. E durante boa parte dos 17 meses de treinamento, eu tive dois empregos. Então, semanalmente meu treinador me mandava as planilhas de treino, e eu precisava conciliar as três modalidades, mais musculação, com todas as demais rotinas profissionais e pessoais, o que, na maioria das vezes, não era uma tarefa fácil, mas com esse planejamento, era mais “tranquilo” prever qual treino eu “poderia” faltar para ser compensado em outro momento. Mas não era só isso: havia ainda a parte nutricional.

Em uma prova em que foram consumidas, segundo meu computador de bordo, 6.905 af597198b5b8e14bec2f915f71c5d6ebkcalorias, com toda tranquilidade, digo que o fato de eu ter chego ao final da prova em condições “humanas” deve-se, principalmente, ao trabalho de nutrição ao longo de toda a jornada. Sua cabeça pode mandar você ir; sua estrutura física pode ser capaz de lhe carregar; mas sem energia, você simplesmente não funciona. Eu comecei os treinos com 99 quilos. Fui para a prova com 88. Foram 13 quilos de banho perdidos e dois de massa magra construídos. Nesta dieta, eu precisava comer a cada 3 horas durante a preparação. Como eu permanecia 18 horas acordado a cada dia, eram 6 refeições por dia. Sendo assim, eu precisava, antes de sair de casa, revisar todas as minhas atividades para analisar como iria me alimentar. Então, não foram poucas as vezes em que eu saia de casa com uma lancheira, recheada de frutas, iogurtes, sementes, barras de cereais e proteínas, suplementos, etc, para não ficar “na mão” ao longo do dia.

2 – Sobre dedicação10312701_880224111994629_569899883184439600_n

Você só se dedica àquilo que é importante para você. Assim, não adianta se comprometer, perante outros e perante a você mesmo, com algo que você não se identifique. Eu queria demais completar esta prova, principalmente, por mim. Mas eu queria passar aos meus alunos que, quando temos um objetivo, devemos nos dedicarmos a isso. Ir a festas, comer e beber como se estivesse na esbórnia, não iriam me ajudar em nada a alcançar esta conquista. Sendo assim, abri mão de muita coisa, não por penitência, mas por vontade; por acreditar que meu objetivo era maior que uma noitada de porre. Acordar domingo às 06 da manhã, para mim, era um prazer. E não adiantava eu dizer para meu professor/treinador, que não havia conseguido ir no treino por causa disso, ou daquilo. Ele não tinha nada a ver com isso. Qualquer deslize ia recair sobre mim e sobre minhas metas, negativamente, é claro.

3 – Sobre procurar ajuda

Ninguém faz nada sozinho. Dependemos de tudo e de todos a todo momento. O triathlon é uma ciência, ou um conjunto 4368111512b2ca057001bb64313fc8d6de ciências. É necessário entender como funciona o nosso corpo: sua mecânica, seu consumo de energia, causas e efeitos. E, para entender tudo isso, não adiantava eu tentar estudar todos os assuntos para me auto-satisfazer. Precisei contar com a ajuda de muitas pessoas para chegar a este objetivo. Quatro profissionais da área da saúde foram envolvidos, só para tratar das questões físicas. Além disso, com frequência, recorria a pessoas mais experientes ( Christiano Moreira , John Brito Hauptli, Robson Oliveira) principalmente quando não sabia por onde começar. Deixo aqui meus agradecimentos aos profissionais Ricardo Bombom, Daniela Muniz, Ismael (CERFE ), Dr. César Teixeira Goulart, Robson Oliveira.Captura de Tela 2014-05-31 às 22.23.01

Mas não houve ajuda mais importante do que da minha família e de meus amigos mais próximos. Estes são os únicos que vão te ajudar como for, quando for, custe o que custar, sem pedir nada em troca por isso. Fernanda Fontoura, Anselmo Jevaux, Vânia Jevaux, Cristina Schroder, John Brito Hauptli, André Luís Pessetti, Glauco Artur Ribeiro De Assunção, Julio Kuser, João Eduardo Moritz Neto: amo vocês.

Para terminar, vou me gabar, sim. Eu nadei 3,8 quilômetros; pedalei 180 quilômetros; corri 42 quilômetros. TUDO EM UM DIA SÓ. Mas quer saber? Qualquer um pode fazer isso. Qual é o “Ironman” da sua vida? É um apartamento? É um carro? É um emprego dos sonhos? É morar em outra cidade, estado, país? VOCÊ PODE. CDSCF0164onseguir ou não, vai depender de quanto você REALMENTE quer isso.

Por fim, deixo meus agradecimentos a todos que torceram, acompanharam e vibraram com toda a minha trajetória. O apoio, “curtida”, incentivo de cada foi fundamental para esta conquista.

Agora é partir para a próxima batalha: tentar a inscrição para o Ironman Brasil 2015, no próximo dia 05, quando abrem as inscrições.

 

 

Inspire-se. Conquiste o seu IRONMAN. Conquiste seu sonho.
bike

Feliz Ano Novo!

Há exatamente um ano decidi fazer o Ironman Brasil em 2014. Desde lá, foram 10 quilos limados, 28km nadados, 1.154km pedalados, 798km corridos. Foram duas meias maratonas, uma maratona, uma prova de Triatlon e 180 sessões de treino. Faltam 144 dias para o evento. Até lá serão mais cerca de 120 treinos, inúmeros desafios e incontáveis superações. Mas acompanhado da minha esposa, Fernanda Fontoura, e da minha Família, sei que não existem desafios que não possam ser superados. Feliz Ano Novo!!
ironway 04

ironway 05

Supere-se

Alguns momentos da vida são verdadeiros divisores de água. Eles aparecem de repente, sem que pensemos muito sobre o assunto. São lapsos de realidade, de consciência, que nos fazem mudar completamente algum comportamento que praticávamos. É como se todos aqueles avisos de “isto não está certo” finalmente fizessem sentido e nós tomássemos a decisão de mudar, para melhor, e seguir em frente com novos objetivos. O meu momento aconteceu no dia 1º de setembro de 2012.

Uma série de eventos ocorridos entre 2010 e 2011 envolvendo questões societárias, perda de amigos (não houve nenhum óbito, mas uma pessoa do meu convívio desde os 8 anos de idade simplesmente foi excluída do meu círculo de amizades) e desarranjos financeiros me levaram a momentos de autocomiseração, questionamentos à vida como ela é e diversos pensamentos frustrantes. Mas enquanto tentava voltar ao controle de tudo, a sobrecarga profissional auto-imposta refletiu na saúde. Mesmo matriculado na academia, isso não fazia muita diferença. A alimentação era a pior que tinha em toda vida, recheada de ruffles, refrigerante, doces e álcool, e as atividades físicas resumiam-se a pagar a mensalidade da academia. Mas, durante um churrasco aonde, além da carne, não faltaram cerveja, refrigerante e batatas onduladas, a realidade me nocauteou. Enquanto meu grande amigo, e padrinho de casamento, John, mostrava sua conquista de ter terminado o Iron Man daquele ano, oportunidade aonde pediu sua então namorada, Karina, em casamento, eu olhava as fotos que meu outro padrinho, Zanon, tirava de todos e no momento em que direcionava meus olhos para o visor da câmera para analisar as fotos tiradas, observava aquela pessoa que ali aparecia. Calças largas e camisa de flanela para disfarçar os excessos do corpo e um boné vermelho, para tentar desviar a atenção das bochechas grandes e gordas.”Isto não está certo.” Alguma coisa precisava mudar. E rápido.

No dia seguinte, uma segunda-feira, peguei um tênis de corrida que havia comprado, talvez com o pensamento de que um bom equipamento me faria, automaticamente, um bom corredor. Na primeira tentativa, consegui fazer jogging por apenas 500 metros. Parei. Andei. Tentei mais um pouco. Achei que ia morrer. Desisti. “Por hoje, é isto”, pensei. No dia seguinte, na academia, pedi para meu instrutor montar um treino que me ajudasse a emagrecer e que melhorasse minha resistência física. Ao mesmo tempo, marquei consulta com nutricionista e fiz muita pesquisa para melhorar minha alimentação. Três meses depois, finalizei minha primeira corrida de 10k. E veio um novo pensamento: assim como meu amigo John, “quero fazer o Iron Man”.

A primeira pergunta que todos me faziam quando eu contava meu novo objetivo era: “a que horas você vai treinar?”. Era pertinente, afinal, não há muito espaço em uma agenda que envolve dois empregos com horas determinadas, uma (nova) família a ser iniciada, com minha noiva, Fernanda, e diversos outros eventos e compromissos que aparecem nas vidas profana e profissional. Uma academia que abre 06h30 e acordar ainda mais cedo foram minhas únicas saídas. O fortalecimento do corpo e o treino de corrida estavam encaminhados. Mas para fazer o Iron Man, ainda faltavam duas coisas: nadar e pedalar.

A última vez em que andei de bicicleta foi aos 14 anos (15 anos atrás) e que entrei em uma piscina com objetivo de nadar fora aos 7 ou 8 anos. Para que não houvesse uma sobrecarga, de energia e de recursos financeiros, decidi primeiro começar a nadar e, depois, comprar uma bicicleta e iniciar os treinos de pedal. Os treinos n’água começaram em março; os de bicicleta acontecerão a partir de abril.

A jornada não será fácil. O apoio da família e amigos será indispensável. Os compromissos serão mantidos e o objetivo perseguido. Há tudo a ser conquistado antes de chegar à glória final. A saída da zona de conforto é o principal motivador. Podemos atingir qualquer sonho, basta sabermos o quanto estamos dispostos a nos dedicar e quão fortemente queremos vencer. Espero igualar o feito do meu amigo. Desejo entrar neste seleto grupo de “Irons”. Mas, acima de tudo, desejo superar a mim mesmo.

Daniel Duarte Jevaux